Escritas e Ensaios
Mudanças na atualidade: um tipo de mulher que busca individualidade e homens que ainda buscam o casamento.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas revela que, entre 1970 e 2000, o número de solteiras de 25 a 29 anos aumentou mais 20%. As solitárias tendem a apresentar um nível de escolaridade maior e ter melhores salários em relação à média brasileira [...]... quanto maior a renda masculina, mais eles se casam, enquanto com as mulheres acontece o contrário [...] A possibilidade de uma mulher com doze anos de estudo não se casar é de 70% maior quando comparada à daquela que não tem instrução nenhuma. [...] Em compensação, as que moram sozinhas ganham em média 62% mais do que as que dividem a casa com um companheiro. (Marcelo Néri, chefe do centro de políticas sociais da FGV, VEJA ESPECIAL- MULHER, 2006)
O que este estudo nos revela é que há um tipo de mulher na atualidade que quando sente-se mais confiante economicamente e emocionalmente, acaba por escolher uma vida mais individualizada. Para ela o casamento deixa de ser prioridade.
Suas realizações tornam-se outras: estudos, trabalho, filhos, casa, esporte, amigos e paqueras.
Já no universo masculino atual verifica-se que, quanto maior à ascensão profissional mais se casam, o que demonstra uma necessidade maior por parte deles de matrimônio.
Diante destes fenômenos: o que quer este tipo de mulher e o que querem estes homens?
Pelos estudos psicanalíticos observamos e pesquisamos que a subjetividade do sujeito feminino não modificou-se: apenas que há um tipo de mulher que atravessou os séculos, semelhante aos homens quanto a alguns desejos: de empenho profissional ou de estudos, ou compras de bens, espontes, e outros.
Uma espécie de mulher que ultrapassa o desejo de matrimônio e maternidade. É motivada por seus objetivos pessoais, profissionais, sociais. Nas horas livres dedica-se aos encontros afetivos e de lazer.
Por outro lado, homens de liderança, bem sucedidos, supostamente a frente dos outros para terem um “harém”, pelo contrário, ainda se casam, tem filhos, como os antigos homens.
Estas reviravoltas de comportamentos modificados nas mulheres e comportamentos conservadores nos homens resultará em alguma inversão nos papéis masculinos e femininos?
A resposta é não, pois a subjetividade humana não modificou-se: há homens casadoiros e mulheres casamenteiras, há homens solitários e mulheres que não abdicam de suas conquistas e individualidade.
O que modificou-se foram as quedas dos mitos e conceitos sobre o que é ser masculino ou ser feminino. Formulações imaginárias que "caíram por terra".
Nem todas mulheres preferem relações matrimôniais, porém gostam de homens e encontram outras formas de colocarem suas fantasias e desejos.
Como não são todos homens bem sucedido uns "colecionadores de namoradas", pelo contrário, ainda se mostram maridos de companheiras diárias e nelas mesmas é que buscam "suas fantasias".
Agora, o mais difícil será pensar: como que estes sexos tão diferentes agradam-se e encontram a boa convivência?
Pelas observações, estudos e prática clínica, não há uma receita, nem uma resposta única, pois são muitas as formas de amar e de aceitar as diferenças. E dentre tantas formas diversas de masculinos e femininos, que "cada qual ache seu talvez!"
Consuelo Muniz Escudero
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Última atualização (Qua, 10 de Fevereiro de 2010 13:43)
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